
Participantes da tradicional Festa do Rosário com suas fantasias |
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Um verdadeiro testemunho da riqueza do patrimônio imaterial brasileiro, a Festa do Rosário é realizada em diversas cidades do país. A equipe RM traz para o leitor maiores detalhes sobre a Festa do Rosário do Serro, que ocorre tradicionalmente na região de Minas Gerais, desde o século XVIII. Com uma origem histórica que remonta ao século XVI, através da vitória dos cristãos portugueses sobre os muçulmanos, na Batalha de Lepanto - atribuída não apenas à estratégia militar mas também à proteção da Virgem do Rosário - o culto se perpetuou no Brasil tanto pela extrema fé dos cristãos portugueses como pela crença dos escravos, que a têm como padroeira. A Festa do Rosário do Serro, que revela a religiosidade da população com a criação de uma lenda histórica na região, vem sendo realizada desde 1724 e se constitui na festa mais importante da cidade até os dias atuais. Durante cinco dias dançantes, festeiros, juízes, rei e rainha, e principalmente os fiéis acompanham a manifestação dos participantes pelas ruas, casas e igreja, a fim de cumprir todas as fases da concorrida homenagem à santa, que incluem a Novena, a Caixa de Assovios, a solenidade do Mastro, a queima de fogos, a busca do Rei e da Rainha da Festa, a Passagem do Cetro, a Missa, entre outras, seguidas pelos caboclos, marujos e catopês.  A população acompanha os personagens da Festa do Rosário |
Conheça os grupos de dança que participam da festa Caboclos – representam os índios que ao som de caixas de couro e sanfona reverenciam a Virgem com alegria. São a persistência do indígena que não se deixou dominar. Enfeitam-se com coletes coloridos, adornados de lantejoulas; usam cocares de penas coloridas, enfeitadas com fitas, perneiras com penas, pulseiras e brincos. Trazem consigo uma flecha de madeira para o ritmo da festa.  Caboclos seguem em direção à Igreja do Rosário |
|  Os caboclos circulam pelas ruas ao som de caixas de couro e sanfonas |
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Marujos – representam o branco, a Esquadra Portuguesa na luta contra os Mouros. Vestem-se como marinheiros. Cantam ao som de instrumentos de corda, cavaquinhos e violões, de pandeiros, xiquexiques, flautas e caixas de couro. Seus passos são cadenciados e sugerem um movimentado combate.  Os marujos cantam representando a Esquadra Portuguesa |
|  O grupo de marujos com seus cavaquinhos passando pela praça principal do Serro |
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Catopês – representam os negros e com o toque das caixas de couro revivem os gemidos nas senzalas. Levam tamborins, caixas de couro, xiquexiques e reco-recos. Suas roupas são capas de chita estampada, enfeitam-se com espelhos, lenços, usam capacetes enfeitados com penas. São os responsáveis por encaminhar a bandeira ao mastro, tirar do trono os festeiros, tirar Nossa Senhora do altar e devolvê-la.  Catopês lutam ao som do reco-reco |
A Festa de N.Sª do Rosário no Serro No sábado, primeiro dia da Festa, o Congado-Rei e Rainha, Juízes e Juízas – e os grupos de dança – Catopês, Marujos e Caboclos – tomaram as ruas do Serro para louvar a Nossa Senhora. Às cinco horas da manhã, a Matina inaugurou a festa, no adro da Igreja do Rosário, com a permissão de Nossa Senhora. O pedido de benção veio da Caixa de Assovios. À noite, o Mastro foi acompanhado pelo ritmo e cores dos grupo de dança, e a bandeira de Nossa Senhora foi trazida até a Igreja pelo Mordomo do Mastro.  O Rei e a Rainha da Festa desfilam em frente ao adro da igreja |
No Domingo, às seis horas da manhã, os Catopês convidaram os festeiros para a formação do reinado. O ritual começou na casa dos primeiros Juiz e Juíza, segundos Juiz e Juíza e invadindo a casa do Rei, com o encontro entre Catopês, Caboclos e Marujos para buscar a Rainha, que seguiram rumo à Igreja do Rosário. A coroação de Nossa Senhora e a apresentação da lenda, seguida da procissão, encerraram o dia.
Na posse do reinado do ano seguinte, segunda-feira, ao meio-dia, repetiu-se o ritual de retirada dos festeiros, que seguiram para a Igreja do Rosário, despediram-se da festa e retornaram às suas casas em companhia dos dançantes do Rosário. |